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Dra Amanda

Essa semana tive o privilégio de conhecer a Sra Dania e sua filhinha de 3 anos: “Eu sou a Dra Amanda e vou ser médica”, assim a pequena se apresentou. Família simples, com poucos recursos, mas sobrando amor e respeito.

Não teve como não relembrar de mim, aos 5 anos, tendo os primeiros contatos com o mundo da medicina.

Não cresci rodeada de diplomas, mas tropeçava nos livros dos meus pais e do meu vôzinho. Entre eles (muitos anos antes da internet surgir), nós tínhamos uma coleção chamada “Conselheiro médico do lar”. Pelo que me lembro, nela havia fotos com as características de diversas doenças como catapora, hepatite A… Além de primeiros socorros.

Isso surgiu na minha vida bem no momento da alfabetização, no qual a gente sai lendo tudo pra mostrar pra todo mundo que agora fazemos parte do grupo seleto dos alfabetizados! Só sei que o assunto me interessou e me lembro de passar muitos momentos folheando os dois volumes.

Conforme fui crescendo, via minha mãe falando pra minha irmã, alguns anos mais velha: “Filha, eu não me importo com o que você estude, desde que prossiga os estudos até a faculdade. Nesse mundo não dá pra ficar sem faculdade.” E esse discurso foi se repetindo até chegar a minha vez.

Em contrapartida, ouvia professores falando: “Medicina é muito difícil, precisa ser rico”. “Tem que estudar nos melhores colégios e ser muito inteligente para fazer medicina”. “Nossa, como você é burra!” “Ah… você quer fazer medicina? Hum…” “Fulana era a melhor da sala, fez 5 anos de cursinho e não conseguiu passar em medicina”.

Quando ouvia isso, olhava pra mim e só pensava que se fulana era super inteligente e não passou, eu nunca estive entre as melhores da classe e não estudei nos melhores colégios, como ia conseguir ser médica???
Em seguida surgia a voz da minha mãe: “Você vai ser o que quiser!”

E assim cresci, com a certeza do que quero e a dúvida sobre a minha capacidade me acompanhando em muitas decisões difíceis.

Isso tudo relembrei em frações de segundos após conhecer a Dra Amanda.

Então olhei pra mãe dela e só consegui dizer: “Se ela realmente quiser e a senhora apoiar, ela vai conseguir. A incentive sempre a estudar, dê muitos livros pra ela se acostumar. Nunca deixe ninguém dizer que ela não é capaz. Até lá, eu já vou ter me formado há bastante tempo e espero ter conhecimento pra compartilhar. Por isso, guarda bem o meu nome, eu vou guardar bem o dela, pois quem sabe não terei a honra de, um dia, ter como aluna a Dra Amanda?”

Não destruam os sonhos das crianças. “Isso é difícil, aquilo é coisa de rico, você não é inteligente o suficiente…” Que o insucesso seja um percalço do destino e não falta de incentivo.

Grite sempre bem alto: Dra Amanda, você vai ser o que você quiser!

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